A prevenção de perdas é, sem dúvidas, um dos maiores desafios do supermercadista. Para se ter ideia, de acordo com a ABRAS (2015), às perdas nos supermercados geraram um prejuízo de 2,26% no faturamento líquido do segmento. Entre os departamentos que geram mais dor de cabeça para os supermercadistas estão: frutas, verduras e legumes com índice de perdas de 6,80%; padaria e confeitaria com 5,82%; peixaria com 3,94%; e açougue com 3,91%. Apesar dos números, quase 66% dos supermercados brasileiros não possuem uma área para prevenção de perdas no estabelecimento.

Se esse for o seu caso ou se você quiser reduzir as perdas no seu varejo, continue lendo, porque hoje nós vamos te apresentar o pentágono de perdas.

Mas afinal, o que é o pentágono de perdas?

Bem… Como falamos anteriormente a metodologia de prevenção de perdas no varejo era trabalhada em três pilares: pessoas, processos e tecnologias. Porém, a realidade das organizações mudou e este tripé passou a ser insuficiente para um processo de prevenção de perdas efetivo. Faltava considerar dois elementos de extrema importância: as informações e os indicadores.

O objetivo do pentágono de perdas é construir um programa estratégico e sustentável composto por cinco elementos indispensáveis que se relacionam entre si: pessoas, processos, tecnologia, informações e indicadores.

 

1. Pessoas: no final tudo depende delas.

No geral, o grande erro das empresas é pensar que um programa de prevenção de perdas depende apenas de fiscais, vigilantes e demais funcionários que atuam diretamente no setor responsável pelo programa.

Para que a sua empresa tenha sucesso na prevenção de perdas é importante ter em mente que todos os funcionários, sem exceção, têm contribuição na redução de perdas e devem atuar ativamente dentro do programa de prevenção.

É necessário que sua empresa enxergue a prevenção de perdas como parte da cultura e não como eventos pontuais dentro da organização. Você e sua empresa precisam assumir um compromisso com os programas de prevenção. Neste momento, algumas ações podem fazer a diferença:

  • Promova ações para internalizar a cultura de prevenção de perdas, como por exemplo a criação de campanhas para colaboradores.
  • Desenvolva programas de treinamento, seja para introduzir os colaboradores nas práticas necessárias para prevenção de perdas ou reciclar os conhecimentos.
  • Capacite os colaboradores nos processos e oriente-os a manter a padronização dos mesmos. O descumprimento de padrões abre possibilidade para perdas acidentais ou intencionais.

 

2. Processos: padronize e identifique os riscos.

De nada adianta ter mão de obra qualificada se ela não souber o que fazer. Esta afirmação parece bastante óbvia, não é mesmo? Infelizmente ela retrata uma causa comum de perdas em varejos: a falta de conhecimento dos padrões de processos e melhores práticas.

Além de prejudicar e tornar as rotinas da empresa não padronizadas, dando abertura a perdas, a falta de mapeamento de processos torna complicada a identificação de vulnerabilidades e riscos de perda de estoque – seja intencional ou acidental – nos estabelecimentos.

Portanto, para que haja uma redução efetiva nas perdas do varejo, é necessário:

  • Mapear os processos existentes e formalizar os padrões de execução;
  • Identificar os riscos existentes em cada um dos processos;
  • Gerenciar as vulnerabilidades identificadas, implementando boas práticas e minimizando os riscos.
  • Adotar uma cultura de disciplina na execução dos processos.

 

3. Tecnologia: uma aliada da prevenção de perdas.

Quando falamos de tecnologia para prevenção de perdas, existem basicamente dois tipos de tecnologias. A primeira está relacionada a proteção contra furtos. Entre essas tecnologias encontramos a proteção eletrônica de mercadorias, os circuitos internos de vigilância, controles de acesso, alarmes e outros.

Já o segundo tipo de tecnologia é formado por  sistemas que possibilitam o monitoramento dos processos, dão suporte ao desenvolvimento de atividades e permitem o monitoramento das rotinas.

Existem sistemas voltados para supermercados que permitem, além do monitoramento da rotina da empresa, a automatização dos processos do negócio – fator que diminui significativamente o erro humano e as chances perdas.

Portanto, a tecnologia deve ser vista como uma ferramenta que dá suporte aos demais pilares da prevenção de perdas e fornece dados importantes para sua empresa.

 

4. Informação: entenda o seu negócio e reduza as perdas.

Os dados, quando bem analisados, oferecem informações fundamentais para a tomada de decisão em um negócio e na prevenção de perdas não é diferente. Além das informações geradas por meio do monitoramento dos processos, existem outras fontes de informações importantes para o varejo, dentre elas o inventário.

O inventário é uma ferramenta que permite a mensuração assertiva das perdas através da comparação entre o estoque contábil (aquele registrado no sistema) com o apurado fisicamente (através das contagens físicas).

As informações geradas pelos inventários, além de possibilitarem controle, devem ser utilizadas como ferramentas de gestão, pois com elas é possível apontar onde estão os maiores índices de perda (seção, departamento ou produto), planejar e implementar as ações necessárias.

 

5. Indicadores: um termômetro da prevenção de perdas.

Tendo pessoas preparadas, processos organizados, ferramentas que possibilitem as atividades e informações concretas, resta definir parâmetros para definir se sua prevenção de perdas está ou não no caminho certo.

Estes parâmetros são os indicadores e as metas que você definirá. Alguns indicadores relevantes para a prevenção de perdas são: perda geral, perda por setor, produtos com maiores índices de perda e outros.

Monitorando e acompanhando os indicadores é possível identificar qualquer anormalidade ou aumento de perdas e ainda antecipar ações antes de ter maiores prejuízos.

Agora que você conhece todos os pilares do pentágono de perdas, você pode implantar um programa de prevenção no seu estabelecimento.