A publicação responsável é a Forbes Brasil, franquia da revista internacional focada em economia que prestigia, quinzenalmente, nomes que se destacam no mercado de trabalho.

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A valorização das mulheres e o pagamento igualitário no mercado de trabalho são lutas ainda presentes e necessárias no movimento feminista. Como observou Daniela Cachich, VP de Marketing da PepsiCo e Foods Brasil e uma das 20 mulheres na reportagem da Forbes.

“Por mais que tentemos mudar isso, é bem difícil mesmo aceitar e entender que a trajetória de uma mulher pode ter muito impacto na sociedade, nas empresas e no futuro de muitas outras mulheres que desejam entrar no mercado de trabalho, em qualquer que seja o segmento, para continuar uma jornada que é ao mesmo tempo árdua e ao mesmo tempo cheia de recompensas e orgulho”, ela escreveu em seu perfil no Instagram.

 

 

Esta capa da Forbes é um marco pois, por anos, vemos revistas de negócios apenas reproduzindo a cultura de segregação do mercado de trabalho, ao invés de questioná-la. E, ainda que digna de celebração, a matéria colocou Cristina e as demais dezenove mulheres citadas em uma lista específica de gênero (listas mistas, com homens e mulheres sendo equiparados, ainda não são muito comuns).

Logo, o destaque conquistado por Cristina é ainda maior se considerarmos que ela aparece visivelmente grávida e falando de negócios, dois assuntos que o mercado de trabalho não gosta de associar. A primeira vez que isso ocorreu foi em agosto do ano passado, quando Audrey Gelman, CEO e co-fundadora do The Wing, foi capa da Inc. Magazine.

Uma pesquisa de 2018, realizada pela Catho com mais de 2,3 mil mães, afirma que 30% das mulheres deixam o trabalho para cuidar dos filhos – boa parte é demitida após a volta da licença maternidade ou escolhem sair da empresa por falta de flexibilidade de horários. Entre os homens, esse número é quatro vezes menor: 7%.

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Mas as mulheres brasileiras já provaram que são capazes de conciliar maternidade e trabalho há muito tempo. Entre 2005 e 2015, o número de famílias compostas por mães solo subiu de 10,5 milhões para 11,6 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de lares brasileiros chefiados por mulheres cresceu de 23% para 40% entre 1995 e 2015, de acordo com a pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, de 2017, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Grandes empresas estão perdendo grandes profissionais para o empreendedorismo materno, que ainda acontece mais por necessidade do que por paixão, mas acontece pois as mulheres não são de ficar paradas esperando por oportunidades. Sabemos que, historicamente, elas vão e lutam por direitos.

Fotos: Reprodução / Forbes Brasil

Fonte: Hypeness